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Abutre-preto

Quase Ameaçada (Near Threatened)

Aegypius monachus

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Sobre

O Abutre-preto (Aegypius monachus) é o maior abutre da Europa e uma das maiores aves de rapina do mundo. Caracteriza-se pela sua plumagem escura, cabeça e pescoço parcialmente nus e uma envergadura impressionante. É uma espécie necrófaga, essencial para a saúde dos ecossistemas, atuando como "limpador" de carcaças. Em Portugal, é uma espécie rara, com uma população reprodutora muito reduzida, mas com avistamentos regulares de indivíduos dispersivos, especialmente no centro e sul do país.

Tamanho e longevidade

Comprimento
100-120 cm
Envergadura
250-310 cm
Peso
7-14 kg
Longevidade
20-30 anos (em cativeiro até 40 anos)
Dieta
Carnívoro (necrófago)

Características físicas

Plumagem
Adultos apresentam plumagem predominantemente castanho-escura a preta, com as penas da cabeça e pescoço mais claras, acinzentadas ou acastanhadas, e uma gola de penas eriçadas escuras na base do pescoço. As penas de voo são mais escuras. A parte inferior das asas é uniformemente escura.
Formato do bico
Bico grande, forte e adunco, de cor cinzenta-escura a preta, com a cera azul-acinzentada.
Cor dos olhos
Olhos castanhos-escuros.
Cor das pernas
Pernas e pés cinzento-claros a esbranquiçados, com garras fortes e escuras.
Características distintivas
Tamanho colossal, plumagem escura uniforme, cabeça e pescoço com pele nua acinzentada e uma gola de penas escuras. Em voo, as asas são longas e largas, mantidas em forma de 'V' raso, com as primárias digitadas bem visíveis. A cauda é relativamente curta e em forma de cunha.
Aparência juvenil
Os juvenis são geralmente mais escuros que os adultos, com uma plumagem mais uniforme e um tom mais negro. A cabeça e o pescoço são cobertos por penas mais escuras e felpudas, e a gola de penas é mais proeminente e escura. A cor da cera e dos olhos pode ser ligeiramente diferente, tornando-se mais clara com a idade.
Mudanças sazonais
Não há mudanças sazonais significativas na plumagem.
Dimorfismo sexual
Não há dimorfismo sexual aparente na plumagem ou tamanho, embora as fêmeas possam ser ligeiramente maiores que os machos, mas esta diferença é difícil de detetar no campo.

Como identificar

  1. 1

    Tamanho e Silhueta

    É o maior abutre europeu. Em voo, a sua silhueta é maciça, com asas muito largas e longas, mantidas em 'V' raso, e uma cauda relativamente curta em forma de cunha.

  2. 2

    Plumagem

    Plumagem uniformemente castanho-escura a preta em adultos. Juvenis são ainda mais escuros e uniformes.

  3. 3

    Cabeça e Pescoço

    Cabeça e pescoço parcialmente nus, com pele acinzentada e uma gola de penas escuras e eriçadas na base do pescoço. Nos juvenis, a cabeça e o pescoço são mais emplumados e escuros.

  4. 4

    Voo

    Voo poderoso com batidas de asa lentas e profundas, alternando com longos períodos de planeio. As primárias digitadas são bem visíveis.

  5. 5

    Comportamento

    Geralmente mais solitário que outros abutres, embora possa ser visto em pequenos grupos em carcaças.

Habitat e distribuição

Biomas
Florestas de montanha, áreas montanhosas com florestas abertas (especialmente de pinheiros e carvalhos), matagais mediterrânicos, e zonas de pastoreio extensivo.
Distribuição geográfica
Eurásia, desde a Península Ibérica até à Mongólia e China. Em Portugal, a população reprodutora é muito reduzida e localizada, principalmente no Parque Natural do Tejo Internacional e no Parque Natural da Serra de São Mamede. Indivíduos dispersivos podem ser avistados em outras regiões, incluindo o centro e sul do país.
Faixa altitudinal
Geralmente entre 500 e 2000 metros, mas pode ser encontrado em altitudes mais baixas durante a procura de alimento.
Ambientes preferidos
Áreas montanhosas e colinas com florestas maduras e densas para nidificação, e áreas abertas com pastagens e matagais para forrageamento, onde há disponibilidade de carcaças de grandes mamíferos.

Comportamento

Horário de atividade
Diurno.
Hábitos alimentares
Principalmente necrófago, alimentando-se de carcaças de grandes e médios mamíferos (ovelhas, cabras, veados, javalis). É um dos primeiros abutres a chegar a uma carcaça e, devido ao seu tamanho e bico forte, consegue rasgar a pele e os tecidos mais duros, abrindo caminho para outras espécies de abutres. Raramente caça presas vivas, mas pode consumir animais doentes ou feridos.
Comportamento social
Geralmente solitário ou em pares durante a época de reprodução. Fora da época de reprodução, pode ser visto em pequenos grupos em torno de carcaças, mas é menos gregário que outras espécies de abutres. Os ninhos são construídos isoladamente ou em pequenas colónias dispersas.
Padrão de voo
Voo majestoso e poderoso, com batidas de asa lentas e profundas, alternando com longos períodos de planeio e voo em círculos, aproveitando as térmicas. As asas são mantidas em forma de 'V' raso. Em voo, a silhueta é inconfundível devido ao seu tamanho, asas largas e cauda curta em cunha.
Padrão migratório
Em Portugal, a população é residente. No entanto, indivíduos juvenis e subadultos podem realizar movimentos dispersivos significativos, procurando novas áreas de alimentação. Populações mais a leste da sua distribuição podem ser parcialmente migratórias.
Territorialidade
Os casais reprodutores defendem um território de nidificação, mas as áreas de forrageamento são partilhadas.

Canto e chamados

Canto
Não possui um canto melódico. As vocalizações são geralmente grunhidos, assobios e sibilos, principalmente emitidos no ninho ou em disputas por carcaças.
Chamado
Grunhidos roucos, assobios e sibilos. Por vezes, um 'krooh-krooh' grave. Geralmente silencioso fora do ninho.
Quando vocaliza
Mais vocal durante a época de reprodução, no ninho, e em interações sociais em torno de carcaças.

Reprodução

Estação reprodutiva
De fevereiro a agosto, com a postura dos ovos ocorrendo entre fevereiro e abril.
Hábitos de nidificação
Constrói ninhos grandes e volumosos em árvores altas (pinheiros, carvalhos, sobreiros), geralmente em locais isolados e tranquilos. O ninho é uma plataforma de ramos e paus, forrada com ervas e lã. Os ninhos são reutilizados ano após ano.
Tamanho da ninhada
1 ovo
Descrição do ovo
Geralmente um único ovo, grande, branco-sujo ou esbranquiçado, por vezes com algumas manchas castanhas ou avermelhadas.
Período de incubação
50-55 dias, realizada por ambos os progenitores.
Período de emplumação
100-120 dias. Os juvenis permanecem no ninho por um longo período e são alimentados pelos pais mesmo após a saída do ninho.
Cuidado parental
Ambos os progenitores participam na incubação, alimentação e proteção do juvenil. O cuidado parental é prolongado, estendendo-se por vários meses após a eclosão.

Onde encontrar

Parques Naturais

Em Portugal, as melhores áreas para observar o Abutre-preto são o Parque Natural do Tejo Internacional e o Parque Natural da Serra de São Mamede, onde existem populações reprodutoras. No entanto, avistamentos de indivíduos dispersivos são possíveis em outras regiões.

Áreas de Montanha e Floresta

Procure em áreas montanhosas com florestas maduras e densas, especialmente pinhais e carvalhais, que são os seus locais de nidificação preferidos. As áreas abertas adjacentes são importantes para a procura de alimento.

Locais de Alimentação

Pode ser avistado a sobrevoar áreas de pastoreio extensivo ou em torno de carcaças de animais, embora seja mais discreto que o Grifo.

Região de Lisboa (contexto local)

Embora não seja uma espécie reprodutora na região de Lisboa, indivíduos dispersivos, especialmente juvenis e subadultos, podem ser avistados ocasionalmente. A observação em (38.80585328575521, -9.307137852510275) perto de Lisboa é um avistamento notável de um indivíduo dispersivo. Áreas mais a leste e nordeste de Lisboa, com paisagens mais rurais e montanhosas, como a Serra de Montejunto ou a Serra de Aire e Candeeiros, poderiam ser locais de passagem ou forrageamento para estes indivíduos. No entanto, a probabilidade de avistamento é baixa e requer sorte e persistência.

Dicas de campo

  1. Observação em Voo. Devido ao seu tamanho e hábito de planar em grandes altitudes, a melhor forma de o identificar é em voo. Procure a sua silhueta maciça, asas largas em 'V' raso e cauda em cunha.
  2. Paciência e Ótica. É uma espécie rara e discreta. Use binóculos e telescópio para observar aves a grandes distâncias. A paciência é fundamental.
  3. Monitorização de Carcaças. Em áreas onde há disponibilidade de carcaças de grandes mamíferos, o Abutre-preto pode ser atraído. No entanto, é menos comum em comedouros artificiais do que o Grifo.
  4. Visitas a Santuários. Visitar centros de recuperação de aves de rapina ou santuários pode oferecer a oportunidade de ver a espécie de perto, embora não em estado selvagem.

Espécies semelhantes

Grifo

Gyps fulvus

O Grifo é mais claro, com plumagem castanha-clara, cabeça e pescoço quase totalmente nus e esbranquiçados, e uma gola de penas brancas. Em voo, o Grifo tem asas mais estreitas e a cauda é mais curta e quadrada, não em cunha. O Abutre-preto é visivelmente maior e mais escuro.

Abutre-do-Egito

Neophron percnopterus

O Abutre-do-Egito é muito menor, com plumagem branca e preta (adultos), cabeça e pescoço amarelos e bico fino. É inconfundível pelo seu tamanho e coloração.

Fatos rápidos

Maior Abutre Europeu:
Sim
Dieta Principal:
Necrófago
Nidificação:
Em árvores altas
Status em Portugal:
Residente, mas raro e localizado
Voo Característico:
Asas em 'V' raso, cauda em cunha

Curiosidades

  • O Abutre-preto é conhecido por ser um dos primeiros abutres a chegar a uma carcaça, usando o seu bico poderoso para abrir a pele dura dos animais, facilitando o acesso para outras espécies de abutres.
  • Os seus ninhos podem ser enormes, atingindo até 2 metros de diâmetro e 3 metros de profundidade, e são frequentemente reutilizados por muitos anos.
  • Apesar do seu nome comum em português ('Abutre-preto'), a sua plumagem é mais castanho-escura do que verdadeiramente preta.
  • É uma espécie monogâmica, com os casais a manterem-se juntos por toda a vida.

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Accipitriformes
Família
Accipitridae
Gênero
Aegypius
Espécie
Aegypius monachus

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