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A coruja-buraqueira (Asio flammeus) é uma coruja de tamanho médio, conhecida por sua preferência por habitats abertos e por sua atividade diurna e crepuscular, incomum para a maioria das corujas. É uma espécie cosmopolita, com uma distribuição global ampla, e é frequentemente observada caçando em voo baixo sobre campos e pântanos. Seu nome popular em português, 'coruja-buraqueira', é um equívoco, pois esta espécie não nidifica em buracos no solo, ao contrário da Athene cunicularia, que é a verdadeira coruja-buraqueira no Brasil. O nome 'coruja-do-campo' ou 'coruja-do-pântano' seria mais apropriado para Asio flammeus.
Tamanho e longevidade
- Comprimento
- 34-43 cm
- Envergadura
- 90-110 cm
- Peso
- 200-500 g (machos geralmente menores que fêmeas)
- Longevidade
- Até 13 anos na natureza
- Dieta
- Carnívora, predominantemente micromamíferos (roedores), mas também aves e insetos grandes.
Características físicas
- Plumagem
- A plumagem geral é marrom-amarelada com estrias escuras no dorso e no peito. A parte inferior é mais clara, com estrias longitudinais escuras. As asas são longas e estreitas, com manchas escuras nas primárias que formam uma 'barra' visível em voo. Possui um disco facial bem definido, de cor clara, com anéis escuros ao redor dos olhos. As 'orelhas' (tufos de penas) são muito pequenas e frequentemente não visíveis, especialmente quando a ave está relaxada.
- Formato do bico
- Bico pequeno, forte e adunco, de cor preta ou cinza-escuro.
- Cor dos olhos
- Olhos amarelos brilhantes, com íris amarela e pupila preta, circundados por um anel escuro.
- Cor das pernas
- Pernas e pés emplumados até os dedos, que são de cor cinza-amarelada com garras pretas.
- Características distintivas
- Olhos amarelos, disco facial claro, asas longas e estreitas com manchas escuras nas primárias, e a ausência de tufos de penas proeminentes na cabeça. Em voo, exibe um padrão de voo ondulante e batidas de asas profundas, com as asas mantidas em um 'V' raso.
- Aparência juvenil
- Os juvenis são semelhantes aos adultos, mas com plumagem mais uniforme e menos estriada, especialmente no peito. Podem apresentar uma coloração mais avermelhada ou fulva. O disco facial pode ser menos definido.
- Mudanças sazonais
- Não há mudanças sazonais significativas na plumagem. A plumagem é consistente ao longo do ano.
- Dimorfismo sexual
- As fêmeas são geralmente ligeiramente maiores e mais pesadas que os machos, mas a coloração da plumagem é muito semelhante, tornando a distinção visual em campo difícil, exceto por diferenças sutis no padrão de estrias.
Como identificar
- 1
Tamanho e Forma
Coruja de tamanho médio, com asas longas e estreitas. Em voo, parece esguia e com um voo leve e ondulante.
- 2
Plumagem
Dorso marrom-amarelado estriado, ventre mais claro com estrias escuras. Manchas escuras nas primárias que formam uma 'barra' visível na parte inferior da asa em voo.
- 3
Cabeça
Disco facial claro e bem definido, olhos amarelos brilhantes. Tufos de penas na cabeça (orelhas) muito pequenos e geralmente não visíveis.
- 4
Comportamento de Voo
Voo característico, baixo sobre o campo, com batidas de asas profundas e planagens. Pode pairar no ar por curtos períodos.
- 5
Atividade
Ativa durante o dia e ao crepúsculo, o que a distingue da maioria das corujas noturnas.
Habitat e distribuição
- Biomas
- Campos abertos, pradarias, pântanos, charnecas, tundras, dunas costeiras, áreas agrícolas e outros habitats com vegetação rasteira.
- Distribuição geográfica
- Cosmopolita, com uma das distribuições mais amplas entre as aves. Encontrada na América do Norte, América do Sul (incluindo o Brasil), Europa, Ásia e algumas ilhas do Pacífico. No Brasil, ocorre principalmente no sul e sudeste, mas pode ser encontrada em outras regiões durante a migração.
- Faixa altitudinal
- Desde o nível do mar até altitudes elevadas em algumas regiões montanhosas, dependendo da disponibilidade de habitat e presas.
- Ambientes preferidos
- Áreas abertas com vegetação rasteira densa para nidificação e caça, evitando florestas densas e áreas urbanas.
Comportamento
- Horário de atividade
- Principalmente crepuscular (ativo ao amanhecer e entardecer) e diurna, especialmente em dias nublados ou durante a época de reprodução. Também pode caçar à noite.
- Hábitos alimentares
- Caça principalmente micromamíferos, como ratos-do-campo e toupeiras, mas também pode capturar aves pequenas e insetos grandes. Caça em voo baixo e lento sobre o campo, com batidas de asas profundas e planagens. Possui audição e visão excelentes para localizar presas. Pode pairar no ar por curtos períodos.
- Comportamento social
- Geralmente solitária ou em pares durante a época de reprodução. Fora da época reprodutiva, pode formar grupos de repouso (roosts) em árvores ou no chão, especialmente durante o inverno ou em áreas com abundância de presas.
- Padrão de voo
- Voo característico, leve e ondulante, com batidas de asas profundas e lentas, alternando com planagens. As asas são mantidas em um 'V' raso durante o voo. Frequentemente voa baixo sobre a vegetação.
- Padrão migratório
- Parcialmente migratória. Populações do norte da América do Norte, Europa e Ásia migram para o sul no inverno. Populações mais ao sul podem ser residentes ou realizar movimentos de dispersão. No Brasil, é considerada uma visitante de inverno em algumas regiões e residente em outras.
- Territorialidade
- Territorial durante a época de reprodução, defendendo a área do ninho e de caça. Machos realizam voos de exibição para atrair fêmeas e demarcar território.
Canto e chamados
- Canto
- O canto do macho durante o cortejo é um 'hoo-hoo-hoo-hoo' monótono e repetitivo, que pode durar vários segundos. É emitido durante o voo de exibição.
- Chamado
- Vários chamados, incluindo um latido áspero 'kek-kek-kek' quando perturbada ou em alarme, e um 'skee-ow' sibilante. Os filhotes emitem um 'psss-psss' para pedir comida.
- Quando vocaliza
- Mais vocal durante a época de reprodução, especialmente ao amanhecer e entardecer. Chamados de alarme podem ser ouvidos a qualquer momento se a ave for perturbada.
Reprodução
- Estação reprodutiva
- Varia geograficamente. Na América do Norte e Europa, geralmente de março a julho. No Brasil, pode ocorrer em diferentes épocas, dependendo da região e da disponibilidade de presas.
- Hábitos de nidificação
- Nidifica no chão, em uma depressão rasa escavada pela fêmea, geralmente escondida na vegetação densa. O ninho é forrado com grama, musgo e penas. Não utiliza buracos no solo, ao contrário da coruja-buraqueira (Athene cunicularia).
- Tamanho da ninhada
- 4-7 ovos, mas pode variar de 1 a 11, dependendo da abundância de presas.
- Descrição do ovo
- Ovos brancos, ovais, sem manchas. A casca é lisa e não brilhante.
- Período de incubação
- 24-29 dias, realizada principalmente pela fêmea.
- Período de emplumação
- Os filhotes deixam o ninho e começam a explorar os arredores com 14-18 dias de idade, mas só conseguem voar bem por volta dos 28-35 dias. São alimentados pelos pais por várias semanas após o voo.
- Cuidado parental
- Ambos os pais participam da criação dos filhotes. A fêmea incuba os ovos e cuida dos filhotes jovens, enquanto o macho caça e traz alimento para a fêmea e os filhotes.
Onde encontrar
Campos abertos e pradarias
Procure em grandes extensões de gramíneas, onde caça roedores.
Pântanos e charnecas
Áreas úmidas com vegetação rasteira densa são habitats preferenciais para caça e nidificação.
Áreas agrícolas
Campos de cultivo e pastagens, especialmente aqueles com vegetação alta e não perturbada.
Dicas de campo
- Horário de Observação. O melhor momento para observá-la é ao amanhecer e ao entardecer, quando está mais ativa na caça. Em dias nublados, pode ser vista caçando durante todo o dia.
- Comportamento de Caça. Procure por uma coruja voando baixo e lentamente sobre o campo, com um voo ondulante e batidas de asas profundas. Ela pode parar e pairar brevemente antes de mergulhar sobre a presa.
- Pouso. Embora geralmente caçe em voo, pode ser vista empoleirada em postes baixos, montes de terra ou no chão, especialmente durante o repouso.
- Paciência e Silêncio. Mantenha-se discreto e paciente. Use binóculos para observar os detalhes da plumagem e o comportamento.
Espécies semelhantes
Coruja-do-nabal
Asio otus
A Coruja-do-nabal (Asio otus) possui tufos de penas na cabeça muito mais proeminentes e visíveis, olhos laranja-avermelhados (em vez de amarelos brilhantes) e um padrão de plumagem mais finamente barrado. É predominantemente noturna e prefere habitats mais arborizados.
Coruja-buraqueira
Athene cunicularia
A verdadeira Coruja-buraqueira (Athene cunicularia) é menor, tem pernas mais longas, olhos amarelos, mas sem o disco facial tão proeminente. Nidifica em buracos no solo e tem um padrão de plumagem mais pontilhado. É mais terrestre e frequentemente vista empoleirada em postes ou no chão.
Fatos rápidos
- Nome Comum:
- Coruja-buraqueira (nome popular no Brasil, embora incorreto para esta espécie)
- Nome Científico:
- Asio flammeus
- Família:
- Strigidae
- Dieta Principal:
- Micromamíferos
- Habitat:
- Campos abertos, pântanos, pradarias
- Atividade:
- Diurna e Crepuscular
- Status de Conservação:
- Pouco Preocupante
Curiosidades
- Apesar do nome popular 'coruja-buraqueira' no Brasil, a Asio flammeus não nidifica em buracos no solo, mas sim em ninhos rasos no chão, escondidos na vegetação.
- É uma das poucas espécies de corujas que caça ativamente durante o dia, especialmente em dias nublados ou durante a época de reprodução.
- Possui uma das distribuições geográficas mais amplas entre todas as aves, sendo encontrada em todos os continentes, exceto na Antártida e na Austrália.
- Seu voo é frequentemente comparado ao de uma mariposa grande ou de um morcego devido às batidas de asas profundas e ao padrão ondulante.
Classificação científica
- Reino
- Animalia
- Filo
- Chordata
- Classe
- Aves
- Ordem
- Strigiformes
- Família
- Strigidae
- Gênero
- Asio
- Espécie
- Asio flammeus
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