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Coruja-buraqueira

Pouco Preocupante (Least Concern)

Athene cunicularia

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Sobre

A pequena coruja-buraqueira (Athene cunicularia) é uma espécie de coruja de hábitos diurnos e noturnos, conhecida por habitar tocas no solo, muitas vezes escavadas por outros animais. É uma ave de rapina de porte pequeno a médio, com pernas longas e olhos amarelos proeminentes. Sua distribuição abrange grande parte das Américas, adaptando-se a diversos ambientes abertos.

Tamanho e longevidade

Comprimento
19-28 cm
Envergadura
50-61 cm
Peso
120-250 g
Longevidade
6-8 anos na natureza, até 10 anos em cativeiro
Dieta
Carnívora/Insetívora, alimentando-se principalmente de insetos grandes, pequenos mamíferos, répteis e anfíbios.

Características físicas

Plumagem
A plumagem dorsal é marrom-acinzentada com manchas brancas ou cremes, enquanto a ventral é esbranquiçada com barras marrons. Possui sobrancelhas brancas proeminentes e um colar branco na garganta. A cabeça é arredondada, sem tufos de penas que simulam orelhas.
Formato do bico
Bico pequeno, curvo e pontiagudo, de cor amarelada a cinza-esverdeada.
Cor dos olhos
Olhos grandes e brilhantes, de cor amarela intensa.
Cor das pernas
Pernas longas e finas, de cor cinza-esverdeada a amarelada, com garras escuras.
Características distintivas
Pernas longas, postura ereta, olhos amarelos, ausência de tufos auriculares, e o hábito de viver em tocas no solo. Frequentemente balança a cabeça para cima e para baixo quando excitada ou curiosa.
Aparência juvenil
Os juvenis possuem plumagem mais uniforme, com menos manchas e barras. A parte superior é mais marrom e a parte inferior é mais clara, sem as barras distintas dos adultos. As pernas são mais curtas e os olhos podem ser menos intensamente amarelos.
Mudanças sazonais
Não há mudanças sazonais significativas na plumagem. A intensidade da coloração pode variar ligeiramente com o desgaste das penas.
Dimorfismo sexual
Pouco dimorfismo sexual. As fêmeas tendem a ser ligeiramente maiores e mais pesadas que os machos, e a plumagem dos machos pode ser um pouco mais clara devido a mais tempo exposto ao sol durante a caça diurna.

Como identificar

  1. 1

    Tamanho e Postura

    Pequena a média, com pernas longas e postura ereta, frequentemente vista em pé na entrada de sua toca ou em um poleiro baixo.

  2. 2

    Olhos

    Olhos grandes e amarelos brilhantes, que lhe conferem uma expressão 'séria' ou 'curiosa'.

  3. 3

    Plumagem

    Dorso marrom-acinzentado com manchas brancas, ventre esbranquiçado com barras marrons. Ausência de tufos de penas na cabeça (orelhas).

  4. 4

    Comportamento

    Balança a cabeça para cima e para baixo quando curiosa ou alarmada. Frequentemente vista durante o dia, o que é incomum para a maioria das corujas. Habita tocas no solo.

  5. 5

    Vocalização

    O canto 'coo-hoo' suave e repetitivo do macho, e o chamado de alarme 'chip-chip' ou o som sibilante de cascavel.

Habitat e distribuição

Biomas
Campos abertos, pastagens, savanas, desertos, áreas agrícolas, aeroportos e até mesmo áreas urbanas e suburbanas com gramados e terrenos baldios.
Distribuição geográfica
Ampla distribuição nas Américas, desde o sul do Canadá, passando pelos Estados Unidos, México, América Central e grande parte da América do Sul (incluindo o Brasil), até a Patagônia.
Faixa altitudinal
Desde o nível do mar até aproximadamente 4.500 metros de altitude, dependendo da região.
Ambientes preferidos
Áreas abertas com solo arenoso ou macio, onde a escavação de tocas é facilitada ou onde tocas abandonadas de outros animais (como tatus, cães-da-pradaria e raposas) estão disponíveis. Preferem locais com vegetação rasteira e pontos de observação elevados.

Comportamento

Horário de atividade
Crepuscular e diurna, mas também pode ser ativa durante a noite, especialmente em noites de lua cheia ou em áreas com iluminação artificial. É uma das poucas corujas que são frequentemente vistas durante o dia.
Hábitos alimentares
Caça principalmente ao amanhecer e ao entardecer (crepuscular), mas também é ativa durante o dia e a noite. Alimenta-se de uma variedade de presas, incluindo insetos grandes (gafanhotos, besouros, grilos), escorpiões, pequenos roedores (camundongos, ratos), lagartos, cobras e, ocasionalmente, pequenas aves. Caça de um poleiro elevado ou em voo rasante sobre o solo.
Comportamento social
Geralmente vive em pares ou em pequenas colônias frouxas, especialmente durante a época de reprodução. Fora da época reprodutiva, podem ser mais solitárias, mas ainda mantêm proximidade com outras corujas-buraqueiras.
Padrão de voo
Voo direto e ondulante, com batidas de asas rápidas e curtas, alternadas com planeios. Geralmente voa baixo sobre o solo. Pode pairar no ar por curtos períodos.
Padrão migratório
As populações do norte da América do Norte são migratórias, deslocando-se para o sul dos EUA e México no inverno. As populações do sul dos EUA, México, América Central e América do Sul são geralmente residentes, embora possam realizar movimentos locais em busca de alimento ou novos territórios.
Territorialidade
Defende ativamente o território ao redor de sua toca, especialmente durante a época de reprodução. Machos e fêmeas participam da defesa contra intrusos, incluindo outras corujas e predadores.

Canto e chamados

Canto
O canto do macho é um 'coo-hoo' ou 'coo-hoo-hoo' repetitivo e suave, que pode ser ouvido principalmente ao amanhecer e ao entardecer, e durante a noite na época de acasalamento. É um som de baixa frequência e ressonante.
Chamado
Possui uma variedade de chamados, incluindo um 'chip-chip' agudo e rápido quando alarmada, um 'churr' áspero em situações de ameaça, e um som sibilante que imita o chocalho de uma cascavel para afastar predadores de sua toca.
Quando vocaliza
Mais vocal durante a época de reprodução, especialmente ao amanhecer e ao entardecer. Chamados de alarme podem ser ouvidos a qualquer momento em resposta a ameaças.

Reprodução

Estação reprodutiva
Varia geograficamente. No Brasil, geralmente de agosto a fevereiro. No hemisfério norte, de março a agosto.
Hábitos de nidificação
Nidifica em tocas no solo, que podem ser escavadas por elas mesmas (usando o bico e as garras) ou, mais comumente, aproveitando tocas abandonadas de outros animais. A toca pode ter vários metros de comprimento e termina em uma câmara de nidificação. O interior da toca é forrado com materiais como grama, penas, esterco e detritos.
Tamanho da ninhada
Geralmente 6 a 12 ovos, mas pode variar de 2 a 16 ovos, dependendo da disponibilidade de alimento e da região.
Descrição do ovo
Os ovos são brancos, ovais e lisos. Medem aproximadamente 3,2-3,6 cm de comprimento por 2,6-2,9 cm de largura.
Período de incubação
28-30 dias, realizada principalmente pela fêmea.
Período de emplumação
Os filhotes deixam a toca pela primeira vez por volta de 14-21 dias de idade, mas permanecem próximos à entrada e são alimentados pelos pais por mais 1-2 meses até se tornarem independentes.
Cuidado parental
Ambos os pais participam da incubação (a fêmea mais ativamente) e da alimentação dos filhotes. O macho é o principal provedor de alimento durante a incubação e nos primeiros estágios de vida dos filhotes.

Onde encontrar

Campos Abertos e Pastagens

Procure em áreas com grama baixa e solo arenoso, onde tocas são visíveis. Pastagens com gado são locais comuns.

Aeroportos e Áreas Urbanas/Suburbanas

Terrenos baldios, campos de golfe, parques e áreas gramadas extensas em cidades e arredores podem abrigar colônias.

Áreas Agrícolas

Bordas de plantações e campos cultivados, especialmente onde há áreas não perturbadas com tocas.

Dicas de campo

  1. Horário de Observação. Embora sejam ativas durante o dia, as melhores chances de observação são ao amanhecer e ao entardecer, quando estão mais ativas caçando ou vocalizando.
  2. Procure por Tocas. Identifique as tocas no solo. As corujas-buraqueiras frequentemente ficam empoleiradas na entrada de suas tocas ou em postes, cercas e montículos próximos.
  3. Use Binóculos. Mantenha distância para não perturbar as aves. Binóculos são essenciais para observar detalhes da plumagem e comportamento.
  4. Atenção aos Chamados. Aprenda a reconhecer seus chamados, especialmente o 'coo-hoo' do macho e os chamados de alarme. Isso pode ajudar a localizá-las mesmo quando não estão visíveis.
  5. Paciência e Observação. Fique parado e observe. Elas são curiosas e podem se aproximar ou se tornar mais ativas se você permanecer imóvel e silencioso.

Espécies semelhantes

Coruja-do-campo

Asio flammeus

A Coruja-do-campo é maior, possui tufos auriculares (embora pequenos e difíceis de ver), olhos amarelos com anéis pretos ao redor, e um padrão de voo mais errático e flutuante. Não habita tocas no solo, preferindo nidificar em depressões rasas no chão.

Coruja-barrada

Strix varia

A Coruja-barrada é significativamente maior, com olhos escuros e plumagem barrada. É uma coruja de floresta, não de campos abertos, e não habita tocas no solo.

Coruja-das-torres

Tyto furcata (ou Tyto alba)

A Coruja-das-torres possui uma face em forma de coração, olhos escuros e plumagem ventral branca. É maior e tem um voo silencioso e flutuante. Não habita tocas no solo.

Fatos rápidos

Nome Comum:
Coruja-buraqueira
Nome Científico:
Athene cunicularia
Família:
Strigidae
Dieta Principal:
Insetos e pequenos vertebrados
Habitat:
Campos abertos, pastagens, áreas agrícolas
Status de Conservação:
Pouco Preocupante
Hábito:
Diurna, crepuscular e noturna

Curiosidades

  • A Coruja-buraqueira é uma das poucas espécies de corujas que são ativas durante o dia.
  • Elas são conhecidas por imitar o som de uma cascavel para afastar predadores de suas tocas, especialmente quando há filhotes.
  • Podem usar esterco de mamíferos (como gado) para forrar suas tocas, o que se acredita atrair insetos para alimentação ou ajudar a regular a temperatura.
  • Suas pernas longas são uma adaptação para a vida no solo, permitindo-lhes correr e perseguir presas no chão.
  • Em algumas culturas, a coruja-buraqueira é vista como um símbolo de sabedoria e conhecimento.

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Strigiformes
Família
Strigidae
Gênero
Athene
Espécie
Athene cunicularia

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