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O Tangará-dançarino é um pequeno passeriforme conhecido por seu dimorfismo sexual marcante e os espetaculares rituais de cortejo dos machos. É uma ave vibrante e um dos representantes mais emblemáticos da Mata Atlântica.
Tamanho e longevidade
- Comprimento
- 13-15 cm (incluindo a cauda no macho)
- Envergadura
- 20-22 cm
- Peso
- 16-25 g
- Longevidade
- 5-8 anos em ambiente selvagem, podendo chegar a 10 anos em cativeiro
- Dieta
- Principalmente frutas pequenas (bagas) e artrópodes (insetos e aranhas).
Características físicas
- Plumagem
- Macho adulto: plumagem geral azul-celeste brilhante (turquesa), com as costas e asas pretas. Apresenta uma coroa vermelha vívida no topo da cabeça. As penas centrais da cauda são alongadas, dando-lhe o aspecto 'dançarino' ou 'cauda de andorinha'. Fêmea e imaturos: plumagem verde-oliva uniforme, mais pálida no ventre. A coroa vermelha está ausente e a cauda é curta, sem as penas alongadas.
- Formato do bico
- Pequeno, cônico, e fino, adaptado para coletar frutas e pequenos invertebrados.
- Cor dos olhos
- Escuro (preto ou marrom-escuro).
- Cor das pernas
- Grisáceo ou cinza-azulado.
- Características distintivas
- O macho adulto é inconfundível devido à sua coloração azul-celeste, costas pretas, coroa vermelha e cauda bifurcada/alongada. A fêmea e juvenis são identificados pela plumagem verde-oliva e comportamento típico de tangará.
- Aparência juvenil
- Os juvenis de ambos os sexos têm plumagem predominantemente verde-oliva, semelhante à fêmea adulta, embora ligeiramente mais opaca. Machos jovens adquirem gradualmente a plumagem adulta ao longo de 1-2 anos, começando com manchas azuis ou vermelhas.
- Mudanças sazonais
- Não há mudanças sazonais significativas na plumagem dos adultos; a coloração é constante ao longo do ano.
- Dimorfismo sexual
- Extremo. Machos são azul-brilhantes com coroa vermelha e cauda longa; fêmeas são verde-oliva com cauda curta. Os juvenis se assemelham às fêmeas.
Como identificar
- 1
Coloração do Macho
O azul-celeste vibrante, a coroa vermelha e as costas pretas do macho adulto são inconfundíveis.
- 2
Cauda do Macho
As penas centrais alongadas da cauda do macho são uma característica distintiva que lhe confere o nome comum.
- 3
Plumagem da Fêmea/Juvenil
A plumagem verde-oliva uniforme com ventre mais claro e cauda curta são as chaves para identificar fêmeas e juvenis.
- 4
Comportamento de Lek
A observação de machos exibindo suas danças coordenadas em um lek é uma indicação clara da espécie.
- 5
Chamados e Cantos
Os assobios e trinados característicos, especialmente os 'tui-tiuu' e 'psiu-psiu', ajudam na identificação auditiva.
Habitat e distribuição
- Biomas
- Mata Atlântica, florestas úmidas subtropicais e tropicais de baixa altitude, florestas montanas úmidas.
- Distribuição geográfica
- Ocorre no sudeste do Brasil (do Espírito Santo e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul), Paraguai oriental e nordeste da Argentina (Misiones).
- Faixa altitudinal
- Geralmente encontrado do nível do mar até cerca de 1.200 metros de altitude, ocasionalmente até 1.800 metros.
- Ambientes preferidos
- Interior e bordas de florestas primárias e secundárias bem preservadas, capoeiras densas, remanescentes florestais e áreas de mata ciliar.
Comportamento
- Horário de atividade
- Diurno. Mais ativo durante as horas da manhã e final da tarde.
- Hábitos alimentares
- Forrageia em arbustos e árvores, pegando frutas diretamente dos galhos ou catando insetos da folhagem. É bastante ativo e ágil, realizando pequenos voos para capturar alimentos.
- Comportamento social
- Durante a época de reprodução, os machos formam leks (áreas de exibição coletiva) onde realizam danças complexas para atrair as fêmeas. Fora da reprodução, podem ser vistos sozinhos ou em pequenos grupos forrageando.
- Padrão de voo
- Voos curtos e rápidos entre a vegetação, muitas vezes de uma poleiro para outro. Os rituais de cortejo dos machos envolvem voos acrobáticos e coreografados.
- Padrão migratório
- Residente. Não realiza migrações anuais de longa distância, embora possa fazer movimentos locais em busca de alimento.
- Territorialidade
- Os machos defendem ativamente seus leks durante a temporada de acasalamento. Fora disso, são menos territorialistas, embora mantenham uma área de forrageamento.
Canto e chamados
- Canto
- O 'canto' do Tarangá-dançarino não é melódico no sentido tradicional, mas sim uma série de assobios, trinados e chiados complexos, frequentemente realizados em coro pelos machos nos leks. Inclui assobios 'tui-tiuu', 'chip-chip-chip' e 'psiu-psiu-psiiiiu'.
- Chamado
- Além dos sons do lek, emitem chamados de contato que são assobios curtos e agudos. Chamados de alarme são mais estridentes e repetitivos.
- Quando vocaliza
- Os machos vocalizam mais intensamente durante a estação de reprodução, principalmente pela manhã e ao entardecer, quando estão ativos nos leks. Fêmeas e juvenis vocalizam menos frequentemente.
Reprodução
- Estação reprodutiva
- Variável regionalmente, mas geralmente ocorre entre setembro e março, durante a estação chuvosa no Sudeste do Brasil.
- Hábitos de nidificação
- Apenas a fêmea constrói o ninho, choca os ovos e cuida dos filhotes. O ninho é uma pequena tigela construída com fibras vegetais, musgo e teias de aranha, geralmente a baixa ou média altura em uma forquilha de arbusto ou árvore.
- Tamanho da ninhada
- Geralmente 2 ovos.
- Descrição do ovo
- Os ovos são elípticos, de cor pálida (esbranquiçados ou amarelados) com manchas escuras (marrons, castanhas ou avermelhadas) na extremidade mais larga.
- Período de incubação
- Aproximadamente 17-21 dias.
- Período de emplumação
- Os filhotes deixam o ninho (viram fledglings) por volta dos 14-17 dias de idade.
- Cuidado parental
- Exclusivamente materna. A fêmea alimenta os filhotes com insetos e pequenas frutas. Os machos não participam dos cuidados parentais após o acasalamento.
Onde encontrar
Parques Nacionais e Estaduais
Unidades de conservação com Mata Atlântica preservada, como o Parque Nacional da Serra da Bocaina, Parque Estadual da Serra do Mar e Parque Nacional do Itatiaia são excelentes locais.
Reservas Particulares e RPNNs
Muitas propriedades privadas com remanescentes florestais no Sul e Sudeste do Brasil se dedicam à conservação e são ótimas para observação.
Fragmentos Florestais
Pode ser encontrado em fragmentos de floresta secundária e matas ciliares em bom estado de conservação, inclusive em áreas mais urbanizadas com cinturões verdes.
Dicas de campo
- Procure por leks. Concentre-se em áreas de mata fechada onde a luz do sol penetra, formando pequenas clareiras. Os machos frequentemente retornam aos mesmos leks por anos. Ouça os assobios e trinados em coro.
- Fique atento ao movimento. São aves ativas; observe o movimento entre a folhagem. Mesmo as fêmeas e juvenis, com sua plumagem verde, são mais fáceis de detectar pelo movimento.
- Período de atividade. Os melhores horários para avistar o Tangará-dançarino são no início da manhã e no final da tarde, quando estão mais ativos e forrageando ou exibindo-se.
- Paciência e Silêncio. Approache a área discretamente. Manter o silêncio aumenta as chances de observação, especialmente em leks.
Espécies semelhantes
Tangará-de-coroa-azul
Chiroxiphia boliviana
O Tangará-de-coroa-azul (encontrado mais ao norte e oeste) tem uma coroa azul-brilhante no macho, em vez de vermelha, e a plumagem azul do corpo é de um tom diferente. Sua distribuição não se sobrepõe diretamente à do Tangará-dançarino.
Tangará-príncipe
Chiroxiphia linearis
O Tangará-príncipe é encontrado na América Central e seu macho possui a coroa vermelha, mas o restante da plumagem é preta com partes inferiores amarelas/brancas e cauda extremamente longa, não azul como o Tangará-dançarino.
Fatos rápidos
- Estado de Conservação:
- Pouco Preocupante (IUCN)
- Dieta Principal:
- Frutas e Insetos
- Tipo de Reprodução:
- Poliginia com leks
- Ninho:
- Copo aberto, construído pela fêmea
- Localização Habitual:
- Sub-bosque e Estrato Médio da Floresta
- Marca Distintiva:
- Macho azul com coroa vermelha e cauda longa bifurcada
Curiosidades
- Os rituais de dança do Tangará-dançarino são extremamente elaborados, com vários machos se reunindo em um 'lek' para saltar e se exibir para as fêmeas. Apenas o macho 'alfa' do lek tem chance real de acasalar.
- As fêmeas são as únicas responsáveis por todos os aspectos da nidificação e criação dos filhotes, desde a construção do ninho até a alimentação dos juvenis.
- O nome 'Chiroxiphia' significa 'mão-espada', referindo-se às penas da cauda do macho de algumas espécies do gênero.
- Sua dieta à base de frutas o torna um importante dispersor de sementes na Mata Atlântica, contribuindo para a manutenção e regeneração da floresta.
Classificação científica
- Reino
- Animalia
- Filo
- Chordata
- Classe
- Aves
- Ordem
- Passeriformes
- Família
- Pipridae
- Gênero
- Chiroxiphia
- Espécie
- Chiroxiphia caudata
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