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O galeirão-comum é uma ave aquática de tamanho médio, facilmente reconhecível pela sua plumagem preta e escudo frontal e bico brancos. É um membro da família Rallidae, que inclui os ralos e frangos-d'água. Esta espécie é bastante adaptável e pode ser encontrada numa vasta gama de habitats de água doce e salobra em grande parte da Eurásia e Austrália. Distingue-se pelo seu nado característico, com o corpo bem assente na água, e pela forma como mergulha em busca de alimento. Embora pareça desajeitado em terra, é um nadador e mergulhador proficiente, usando os seus dedos lobados para se impulsionar.
Tamanho e longevidade
- Comprimento
- 32-42 cm
- Envergadura
- 68-80 cm
- Peso
- 585-1200 g
- Longevidade
- 5-15 anos (recorde de 20 anos em cativeiro)
- Dieta
- Omnívoro: principalmente vegetação aquática (algas, sementes, folhas), complementado por insetos, crustáceos, moluscos, pequenos peixes e ovos de outras aves. Também se alimenta de grãos e pequenos invertebrados em campos adjacentes.
Características físicas
- Plumagem
- Adultos apresentam plumagem predominantemente preta fuliginosa em todo o corpo, ligeiramente mais pálida no ventre. As penas primárias de voo são pretas. Uma pequena mancha branca pode ser visível na borda de ataque das asas durante o voo, devido às pontas brancas das penas secundárias.
- Formato do bico
- O bico é curto, cónico e de cor branco-acinzentada. Estende-se numa placa ou escudo frontal (calosidade) distintivo, de cor branco-leitoso puro, que cobre parte da testa. A ponta do bico pode ter uma tonalidade ligeiramente esverdeada.
- Cor dos olhos
- Íris de cor vermelha-alaranjada brilhante nos adultos, tornando-se mais pálida e avermelhada com a idade.
- Cor das pernas
- As pernas e os pés são de cor verde-acinzentada escura ou cinzento-azulada, com dedos lobados que funcionam como lâminas para natação e mergulho.
- Características distintivas
- Escudo frontal branco pronunciado e bico branco. Dedos lobados. Corpo robusto e arredondado. Cauda curta e arredondada. Mancha branca nas asas visível em voo.
- Aparência juvenil
- Os juvenis são de cor mais clara que os adultos, com a plumagem acinzentada ou castanho-acinzentada no corpo, garganta e peito mais claros, esbranquiçados. Possuem o bico e o escudo frontal também mais claros, mas com uma tonalidade mais escura e menos definidos que nos adultos. A íris é mais pálida, acastanhada. Adquirem a plumagem adulta completa ao fim de alguns meses, após a primeira muda.
- Mudanças sazonais
- A plumagem não sofre alterações sazonais significativas nos adultos. O escudo frontal e o bico podem parecer mais brilhantes e limpos durante a época de reprodução.
- Dimorfismo sexual
- Pouco dimorfismo sexual. Machos e fêmeas são virtualmente idênticos na plumagem e no tamanho, embora os machos possam ser ligeiramente maiores e ter o escudo frontal um pouco mais proeminente.
Como identificar
- 1
Plumagem
Corpo completamente preto fuliginoso, sem marcas brancas nos flancos (ao contrário do frango-d'água).
- 2
Cabeça
Bico branco e escudo frontal branco distintivo. Olhos vermelhos brilhantes (em adultos).
- 3
Pernas e Pés
Pernas verde-acinzentadas e pés com dedos lobados, visíveis fora da água ou em mergulho.
- 4
Comportamento na Água
Nadam com o corpo bem assente na água e balançam a cabeça para a frente e para trás ao nadar. Mergulham frequentemente em busca de alimento.
- 5
Voo
Descolagem ruidosa e pesada, correndo sobre a água. Em voo, mostram uma pequena barra branca na parte posterior da asa (pela ponta das secundárias) e as pernas esticadas para trás.
- 6
Chamadas
Ouvir o seu 'kowk' metálico e explosivo, que é bastante característico.
Habitat e distribuição
- Biomas
- Áreas húmidas de água doce, estuários, zonas costeiras. Adaptável a uma variedade de ambientes aquáticos.
- Distribuição geográfica
- Amplamente distribuído pela Eurásia (desde a Europa Ocidental até ao Sudeste Asiático e Austrália). Presente em Portugal continental e ilhas, sendo abundante em certas regiões.
- Faixa altitudinal
- Principalmente em altitudes baixas, do nível do mar até cerca de 1000 metros, embora possa ser encontrada ocasionalmente em altitudes mais elevadas.
- Ambientes preferidos
- Lagos, lagoas, rios com margens bem vegetadas, pântanos, reservatórios, canais de irrigação, gravarias e, por vezes, estuários e zonas costeiras abrigadas. Preferem águas paradas ou de fluxo lento com bastante vegetação emergente e submersa para alimentação e nidificação.
Comportamento
- Horário de atividade
- Principalmente diurno, mas também podem forragear ao crepúsculo. A migração ocorre predominantemente durante a noite.
- Hábitos alimentares
- Forrageiam na superfície da água, mergulham para alcançar a vegetação submersa (tipicamente permaneçem submersos por 15-20 segundos), ou pastam em terra perto da água. Podem ser oportunistas, roubar comida a outras aves aquáticas e até revirar folhas e detritos na margem.
- Comportamento social
- Geralmente gregários fora da época de reprodução, formando grandes bandos em águas abertas. Durante a reprodução, tornam-se territoriais e agressivos, defendendo vigorosamente os seus ninhos e território contra intrusos, incluindo outras aves.
- Padrão de voo
- Voo pesado e relutante, com batidas de asa rápidas e arrastando os pés na água para descolar. Em voo, o corpo é reto, o pescoço ligeiramente esticado e as pernas longas esticadas para trás. A mancha branca na asa é um bom identificador. Migram tipicamente durante a noite em grupos.
- Padrão migratório
- Varia consideravelmente. Populações do norte e leste são migratórias, movendo-se para áreas mais temperadas no inverno. As populações do sul e oeste são residentes ou dispersivas. Em Portugal, a maioria das populações é residente, mas recebem migrantes de inverno do centro e norte da Europa.
- Territorialidade
- Fortemente territorial durante a época de reprodução. Os casais defendem activamente um pequeno território em torno do ninho e exibem comportamentos agressivos, como perseguições e lutas na água, usando as pernas e asas. Fora da época de reprodução, são mais tolerantes e gregários.
Canto e chamados
- Canto
- Não possui um canto melódico. Emitem uma variedade de chamadas principalmente utilitárias.
- Chamado
- É uma ave vocal com uma variedade de chamadas. A mais comum é um 'kowk' ou 'kewk' explosivo, agudo e metálico, frequentemente repetido. Outras chamadas incluem um 'pit' suave, 'psitt' nasal ou chiados. Durante confrontos territoriais, emitem chamadas mais agressivas e repetitivas. Estes sons são muitas vezes ouvidos antes de se avistar a ave.
- Quando vocaliza
- Mais vocal durante a época de reprodução e em situações de alarme ou defesa territorial. Também pode vocalizar durante o forrageamento e em comunicação entre indivíduos do grupo.
Reprodução
- Estação reprodutiva
- Variável de acordo com a região, geralmente de março a julho na Europa, podendo ter 2 ou 3 posturas nalgumas áreas.
- Hábitos de nidificação
- Ninho volumoso construído na água, geralmente ancorado à vegetação emergente (juncos, caniços) ou flutuante. É feito de material vegetal aquático (caules, folhas) acumulado em forma de taça. Ambos os pais contribuem para a construção do ninho e incubação.
- Tamanho da ninhada
- Normalmente 6-10 ovos, embora possam variar de 4 a 12.
- Descrição do ovo
- Os ovos são de formato oval, geralmente de cor acinzentada ou castanho-clara, salpicados com pintas e manchas escuras (pretas ou castanho-escuras) mais densas na extremidade maior. A casca é ligeiramente brilhante. Medem em média 52 x 36 mm.
- Período de incubação
- 21-24 dias, incubados por ambos os progenitores.
- Período de emplumação
- Os juvenis deixam o ninho logo após a eclosão, mas são alimentados e protegidos pelos pais por 55-60 dias até se tornarem totalmente independentes. A plumagem de voo surge aos 60-70 dias.
- Cuidado parental
- Ambos os pais participam na incubação, defesa do ninho e cuidado com os juvenis. Dividem a prole se houver uma segunda postura, com um progenitor a tomar conta da primeira enquanto o outro incuba a segunda. Os juvenis são alimentados intensivamente pelos pais e podem ser vistos a trepar para as costas dos adultos para se aquecerem ou protegerem de predadores.
Onde encontrar
Lagos
Procure-os em lagos de água doce com vegetação marginal densa e áreas abertas de água.
Lagoas e Pântanos
Comuns em lagoas e pântanos bem vegetados, onde há abundância de alimento e locais para nidificar.
Rios de fluxo lento
Podem ser encontrados em rios com correntes lentas e margens ricas em vegetação.
Reservatórios e Barragens
Grandes corpos de água criados pelo homem são excelentes locais, especialmente se tiverem zonas pouco profundas e vegetação aquática.
Estuários e Zonas Costeiras
Em algumas regiões, podem ser vistos em estuários protegidos e lagoas costeiras de água salobra.
Dicas de campo
- Procure em água aberta. Ao contrário de outros ralos mais esquivos, os galeirões-comuns são frequentemente vistos a nadar em águas abertas, longe da vegetação. Contudo, nas épocas de reprodução podem estar mais escondidos.
- Observe o comportamento de mergulho. Eles mergulham frequentemente em busca de vegetação subaquática. Espere que reapareçam à superfície depois de alguns segundos.
- Ouça as chamadas. As suas chamadas 'kowk' estridentes são frequentemente a primeira indicação da sua presença, mesmo quando a ave está escondida na vegetação.
- Observe interações sociais. Fora da época de reprodução, procure grandes bandos. Durante a reprodução, observe as interações agressivas entre indivíduos, especialmente em torno dos locais de nidificação.
- Procure juvenis. No verão, procure os juvenis mais pálidos, com pintas na cabeça, que são frequentemente alimentados pelos pais nas margens da água.
Espécies semelhantes
Frango-d'água
Gallinula chloropus
O frango-d'água é mais pequeno, tem uma placa frontal vermelha e bico vermelho com ponta amarela, em vez de branco. Possui flancos brancos e uma linha branca nos flancos, que o galeirão-comum não tem. As pernas são verdes com um anel vermelho acima do joelho, enquanto as do galeirão são uniformemente verde-acinzentadas. O comportamento também difere, o frango-d'água é mais discreto e costuma procurar alimento nas margens densas.
Galeirão-de-crista
Fulica cristata
O galeirão-de-crista, um parente próximo africano e ibérico, tem duas pequenas protuberâncias vermelhas (carúnculas) no escudo frontal branco, características que o galeirão-comum não possui. Estas carúnculas são mais visíveis durante a época de reprodução. Além disso, o galeirão-de-crista é geralmente mais discreto e tem uma área de distribuição mais restrita.
Galeirão-americano
Fulica americana
O galeirão-americano (presente nas Américas) é muito semelhante, mas possui uma pequena mancha castanho-avermelhada no topo do escudo frontal branco e uma faixa castanha escura na ponta do bico. Também apresenta manchas brancas na parte inferior da cauda que são mais proeminentes. Em Portugal esta espécie é um divagante raro.
Fatos rápidos
- Estado de conservação global:
- Pouco Preocupante
- Tipo de ave:
- Aquática Rallidae
- Característica distintiva:
- Escudo frontal branco puro e bico branco
- Dieta principal:
- Vegetação aquática
- Nidificação:
- Ninho flutuante ou ancorado na vegetação aquática
- Comportamento territorial:
- Muito territorial durante a época de reprodução
Curiosidades
- Os dedos lobados do galeirão-comum funcionam como pás na água, mas dobram-se para permitir que a ave ande mais facilmente em terra.
- É uma das poucas aves que pratica o 'parental infanticide' (infanticídio parental), embora raro, em que um progenitor pode deliberadamente afogar um dos seus próprios filhotes mais fracos para garantir a sobrevivência dos mais fortes, especialmente em situações de escassez alimentar.
- Os galeirões são conhecidos por construir mais do que um tipo de ninho: um para os ovos e outros 'ninhos de repouso' ou 'plataformas de descanso' para os juvenis descansarem e para os pais usarem enquanto forrageiam.
- Embora desajeitado na descolagem, o galeirão-comum é um excelente e poderoso voador, capaz de realizar longas migrações noturnas.
Classificação científica
- Reino
- Animalia
- Filo
- Chordata
- Classe
- Aves
- Ordem
- Gruiformes
- Família
- Rallidae
- Gênero
- Fulica
- Espécie
- Fulica atra
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