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O Milhafre-preto é uma ave de rapina de tamanho médio, conhecida pela sua plumagem escura e cauda bifurcada, embora menos pronunciada que a do Milhafre-real. É uma espécie oportunista e necrófaga, frequentemente associada a ambientes aquáticos e áreas perturbadas pelo homem. É um migrante transariano, com uma vasta distribuição paleártica e afrotropical.
Tamanho e longevidade
- Comprimento
- 48-58 cm
- Envergadura
- 130-155 cm
- Peso
- 630-940 g (macho), 750-1050 g (fêmea)
- Longevidade
- Até 23 anos em cativeiro, cerca de 10-12 anos na natureza
- Dieta
- Carnívoro/Necrófago (peixes mortos, pequenos mamíferos, aves, insetos, anfíbios, répteis, carcaças, lixo)
Características físicas
- Plumagem
- Adultos apresentam plumagem predominantemente castanho-escura, com a cabeça e o pescoço ligeiramente mais pálidos e estriados. As penas de voo primárias são mais escuras, quase pretas, e as secundárias são castanhas. A parte inferior do corpo é castanha-avermelhada, com estrias escuras. A cauda é castanha, ligeiramente bifurcada (em forma de 'V' pouco profundo) e com barras escuras transversais, visíveis contra a luz.
- Formato do bico
- Bico forte e adunco, de cor amarela na base e cinzento-escuro na ponta, com cera amarela.
- Cor dos olhos
- Íris castanho-escura.
- Cor das pernas
- Amarelas, com garras pretas.
- Características distintivas
- Cauda ligeiramente bifurcada (menos que o Milhafre-real), plumagem geral escura, mancha clara na parte inferior das primárias (janela carpal) visível em voo, voo ágil e planador com asas ligeiramente arqueadas.
- Aparência juvenil
- Os juvenis são mais pálidos e mais estriados que os adultos, especialmente na cabeça e no peito. As pontas das penas do corpo são mais claras, dando-lhes um aspeto escamado. A cauda é menos bifurcada e as barras transversais podem ser menos nítidas.
- Mudanças sazonais
- Não há mudanças sazonais significativas na plumagem. A plumagem pode parecer mais gasta e desbotada antes da muda anual.
- Dimorfismo sexual
- Pouco ou nenhum dimorfismo sexual na plumagem, as fêmeas são geralmente ligeiramente maiores e mais pesadas que os machos.
Como identificar
- 1
Silhueta em voo
Procurar uma ave de rapina de tamanho médio com asas longas e ligeiramente arqueadas. A cauda é o principal indicador: ligeiramente bifurcada, em forma de 'V' pouco profundo, especialmente visível quando aberta.
- 2
Cor da plumagem
Observar a coloração geral castanho-escura, com a cabeça e o pescoço ligeiramente mais pálidos e estriados. A parte inferior do corpo é castanha-avermelhada.
- 3
Mancha nas asas
Em voo, procurar uma 'janela' clara (mancha esbranquiçada ou pálida) na parte inferior das primárias, perto da ponta da asa. Esta é uma característica distintiva do Milhafre-preto.
- 4
Comportamento de voo
Observar o voo planado e ágil, com a cauda frequentemente torcida para manobrar. É comum vê-lo a pairar sobre corpos de água ou lixeiras.
- 5
Vocalizações
Escutar as chamadas agudas e prolongadas 'piii-i-i-i-i' ou os 'kwee-kwee-kwee' estridentes.
Habitat e distribuição
- Biomas
- Florestas abertas, zonas húmidas, margens de rios e lagos, estuários, zonas costeiras, áreas agrícolas, zonas urbanas e suburbanas com acesso a alimento.
- Distribuição geográfica
- Vasta distribuição no Paleártico (Europa, Ásia) e Afrotropical (África). Reproduz-se na Europa e Ásia, migrando para África e sul da Ásia no inverno. Presente em Portugal como nidificante estival e migrador de passagem.
- Faixa altitudinal
- Desde o nível do mar até cerca de 2000 metros, ocasionalmente mais alto em passagens migratórias.
- Ambientes preferidos
- Prefere áreas com corpos de água (rios, lagos, reservatórios) e árvores altas para nidificação, muitas vezes perto de assentamentos humanos ou lixeiras, onde o alimento é abundante.
Comportamento
- Horário de atividade
- Diurno.
- Hábitos alimentares
- É um predador oportunista e necrófago. Alimenta-se principalmente de peixes mortos ou moribundos, pequenos mamíferos, aves, anfíbios, répteis, insetos e carcaças. É um frequentador assíduo de lixeiras e aterros sanitários, onde procura restos de comida. Também pode roubar presas de outras aves de rapina (cleptoparasitismo).
- Comportamento social
- Geralmente solitário ou em pares durante a época de reprodução. Fora da época de reprodução, pode formar grandes bandos, especialmente em locais de dormitório ou em fontes de alimento abundantes (lixeiras, locais de pesca).
- Padrão de voo
- Voo elegante e ágil, com batidas de asa lentas e profundas, alternando com longos períodos de planeio. As asas são mantidas ligeiramente arqueadas para baixo. A cauda é frequentemente torcida para ajudar na direção, especialmente durante a caça ou em voo planado. Apresenta uma 'janela' clara na parte inferior das primárias, perto da ponta da asa.
- Padrão migratório
- É um migrante transariano. As populações europeias e asiáticas migram para África e sul da Ásia para passar o inverno. A migração ocorre em grandes bandos, geralmente em rotas bem definidas, aproveitando as correntes térmicas. Chega à Europa na primavera (março-abril) e parte no outono (agosto-outubro).
- Territorialidade
- Defende o território de nidificação, mas pode ser mais tolerante com outras aves da mesma espécie fora da época reprodutiva.
Canto e chamados
- Canto
- Não possui um canto verdadeiro. As vocalizações são principalmente chamadas.
- Chamado
- As chamadas mais comuns são um 'piii-i-i-i-i' agudo e prolongado, que desce de tom no final, e um 'kwee-kwee-kwee' mais rápido e estridente, por vezes descrito como um relincho. Podem também emitir assobios e guinchos, especialmente perto do ninho ou em disputas por alimento.
- Quando vocaliza
- Mais vocal durante a época de reprodução, perto do ninho, ou em interações sociais e por alimento.
Reprodução
- Estação reprodutiva
- Abril a julho na Europa.
- Hábitos de nidificação
- Constrói ninhos em árvores altas, geralmente perto de água. O ninho é uma estrutura volumosa feita de paus e ramos, forrada com materiais diversos como trapos, papel, plástico, lã e até ossos. Ambos os pais participam na construção e reparação do ninho.
- Tamanho da ninhada
- 2-4 ovos.
- Descrição do ovo
- 2-4 ovos (geralmente 2-3), brancos ou esbranquiçados, com manchas e pintas castanhas ou avermelhadas, mais densas na extremidade mais larga. Medem cerca de 58 x 45 mm.
- Período de incubação
- 28-32 dias, principalmente pela fêmea.
- Período de emplumação
- 42-50 dias após a eclosão. Os juvenis permanecem dependentes dos pais por mais algumas semanas após deixar o ninho.
- Cuidado parental
- Ambos os pais cuidam dos ovos e dos juvenis. A fêmea incuba e o macho providencia a maior parte do alimento nos primeiros dias após a eclosão. Ambos caçam e alimentam os juvenis até estes se tornarem independentes.
Onde encontrar
Zonas húmidas e aquáticas
Margens de rios, lagos, albufeiras, estuários e zonas costeiras, onde procura peixes mortos ou moribundos.
Lixeiras e aterros sanitários
Locais onde se alimenta de restos de comida e carcaças. Podem ser observados em grandes concentrações nestes locais.
Áreas agrícolas e florestas abertas
Zonas com árvores altas para nidificação e áreas abertas para caça.
Rotas migratórias
Durante a primavera e o outono, podem ser observados em grandes bandos a migrar através de estreitos e passagens montanhosas.
Dicas de campo
- Observar perto de água. Procure Milhafres-pretos a patrulhar as margens de rios, lagos ou estuários, especialmente onde há peixes mortos ou lixo.
- Visitar lixeiras (com segurança). Em algumas regiões, lixeiras e aterros sanitários são pontos de encontro para Milhafres-pretos. Observe de uma distância segura e respeite as regulamentações locais.
- Procurar em voo. Mantenha os olhos no céu. O seu voo planado característico e a cauda ligeiramente bifurcada são bons indicadores. Procure a 'janela' clara nas asas.
- Época de migração. Na primavera (março-abril) e outono (agosto-outubro), procure grandes bandos a migrar, especialmente em pontos de estrangulamento migratório.
- Escutar as vocalizações. As suas chamadas agudas e estridentes podem ajudar a localizá-los, especialmente perto dos ninhos.
Espécies semelhantes
Milhafre-real
Milvus milvus
O Milhafre-preto é mais escuro e tem a cauda menos bifurcada que o Milhafre-real. O Milhafre-real tem uma plumagem mais avermelhada, cabeça mais clara e uma grande mancha branca na parte inferior das primárias, que é mais proeminente que a 'janela' do Milhafre-preto. A cauda do Milhafre-real é profundamente bifurcada.
Águia-pesqueira
Pandion haliaetus
Embora também se alimente de peixe, a Águia-pesqueira é mais clara na parte inferior, tem uma máscara escura nos olhos e um padrão de voo diferente, com as asas em forma de 'M' e batidas de asa mais rápidas. A cauda não é bifurcada.
Bútio-comum
Buteo buteo
O Bútio-comum tem uma silhueta mais robusta, asas mais largas e arredondadas, e a cauda é curta e em forma de leque, não bifurcada. A plumagem é muito variável, mas geralmente não apresenta a 'janela' clara nas primárias como o Milhafre-preto.
Fatos rápidos
- Estatuto de Conservação:
- Pouco Preocupante
- Dieta Principal:
- Peixes mortos, carcaças, pequenos animais
- Tipo de Migração:
- Migrador transariano
- Cauda:
- Ligeiramente bifurcada
- Habitat Preferencial:
- Zonas húmidas e áreas abertas com árvores
Curiosidades
- O Milhafre-preto é uma das aves de rapina mais abundantes e amplamente distribuídas no mundo.
- É conhecido pela sua capacidade de se adaptar a ambientes urbanos, alimentando-se frequentemente de lixo e restos de comida.
- Em algumas culturas, é considerado um 'limpador' da natureza devido aos seus hábitos necrófagos.
- A sua cauda ligeiramente bifurcada é uma característica distintiva, embora menos pronunciada que a do Milhafre-real.
- Pode ser visto a roubar comida de outras aves, um comportamento conhecido como cleptoparasitismo.
Classificação científica
- Reino
- Animalia
- Filo
- Chordata
- Classe
- Aves
- Ordem
- Accipitriformes
- Família
- Accipitridae
- Gênero
- Milvus
- Espécie
- Milvus migrans
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