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Felosa-de-Bonelli-Ocidental (Phylloscopus bonelli)

Felosa-de-Bonelli-Ocidental

Pouco Preocupante (Least Concern)

Phylloscopus bonelli

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Sobre

A felosa-de-Bonelli-ocidental é uma pequena ave passeriforme, conhecida pela sua plumagem discreta mas elegante e por um canto melódico e repetitivo. Pertence ao grupo das 'felosas de folhas', designadas pela sua associação com árvores e arbustos. Anteriormente, era considerada coespecífica com a felosa-de-Bonelli-oriental (Phylloscopus orientalis), mas estudos genéticos e vocais confirmaram a sua distinção como espécies separadas. É uma ave migratória, passando os meses de verão nas suas áreas de reprodução na Europa e inverno em África.

Tamanho e longevidade

Comprimento
11-12 cm
Envergadura
18-21 cm
Peso
7-11 g
Longevidade
2-5 anos
Dieta
Principalmente insetos e aranhas. Ocasionalmente, pequenas bagas no outono.

Características físicas

Plumagem
Parte superior cinza-esverdeada ou cinza-acastanhada uniforme, sem riscas. As partes inferiores são brancas. Apresenta uma auréola amarelada clara e discreta à volta dos olhos e uma barra alar pálida nas rêmiges primárias (especialmente visível na asa fechada). As penas de voo e da cauda são escuras com margens pálidas.
Formato do bico
Pequeno e fino, adaptado para apanhar insetos.
Cor dos olhos
Olhos escuros.
Cor das pernas
Pernas claras, geralmente cor-de-carne ou acastanhadas.
Características distintivas
O traço mais distintivo é a ausência de riscas na cabeça (supercílio proeminente ou risca ocular), que está presente em muitas outras felosas. A coloração geral uniforme, as pernas claras e uma barra alar (às vezes dupla e pálida) são importantes. A rabadilha pode apresentar um tom ligeiramente mais amarelado em algumas aves, mas é geralmente uniforme com o dorso.
Aparência juvenil
As aves juvenis são muito semelhantes aos adultos, podendo apresentar tons um pouco mais acastanhados ou amarelados nas partes superiores e peito, mas perdem rapidamente estas características após a primeira muda.
Mudanças sazonais
A plumagem é consistente ao longo do ano, sem grandes mudanças sazonais. Pode parecer ligeiramente mais brilhante após a muda de verão/outono.
Dimorfismo sexual
Não apresenta dimorfismo sexual evidente na plumagem. Machos e fêmeas são idênticos.

Como identificar

  1. 1

    Plumagem

    Dorso cinza-esverdeado uniforme sem riscas, ventre branco puro. Ausência de supercílio conspícuo é chave.

  2. 2

    Pernas

    Pernas claras, cor-de-carne, contrastando com as pernas mais escuras de muitas outras felosas.

  3. 3

    Barra Alar

    Presença de uma barra alar pálida nas rêmiges primárias, por vezes dupla, visível na asa fechada.

  4. 4

    Canto

    Canto característico de 'pião': uma série rápida e vibrante de 'chip-chip-chip-chip...' que acelera e desacelera.

  5. 5

    Chamamento

    Chamamento suave e seco 'chip' ou 'pjit'.

  6. 6

    Comportamento

    Forrageia ativamente nas copas e sub-bosque, movendo-se agilmente nas folhas.

Habitat e distribuição

Biomas
Florestas caducifólias e mistas, matagais, pomares, olivais e florestas de carvalho dominadas por árvores relativamente espaçadas e com sub-bosque ralo.
Distribuição geográfica
Reprodução: Sul da Europa (Península Ibérica, França, Itália, Sudoeste da Alemanha, Suíça) e Noroeste de África. Inverno: África Subsariana (principalmente a faixa saheliana a sul do Saara, desde o Senegal até à Etiópia).
Faixa altitudinal
Geralmente abaixo dos 1500 metros, embora possa ser encontrada em altitudes superiores em algumas partes da sua distribuição, até 2000 metros.
Ambientes preferidos
Sistemas florestais abertos com bom estrato arbustivo e clareiras, montanhas com vegetação rala, soutos, pomares de amendoeiras, pinhais abertos e margens de florestas. Evita florestas densas e húmidas.

Comportamento

Horário de atividade
Diurna.
Hábitos alimentares
Forrageia ativamente na copa das árvores e arbustos, apanhando insetos das folhas e ramos ou fazendo pequenos voos para capturá-los em pleno ar. Move-se agilmente através da folhagem.
Comportamento social
Geralmente solitária ou em casais durante a época de reprodução. Durante a migração e no inverno, pode juntar-se a bandos mistos de outras aves insetívoras.
Padrão de voo
Voo ágil e rápido dentro das copas, com batidas de asa rápidas. Em voos de distância, apresenta um voo mais ondulante e direto.
Padrão migratório
Migrador de longa distância. Reproduz-se na Europa e Noroeste de África e inverna na África Subsariana. A migração de outono ocorre de agosto a outubro, e a de primavera de março a maio.
Territorialidade
Os machos são territoriais durante a época de reprodução, defendendo o seu território através do canto. Os territórios são grandes o suficiente para suportar a busca por alimento para o casal e os filhotes.

Canto e chamados

Canto
O canto é uma série rápida e vibrante de notas repetidas 'chip-chip-chip-chip...', acelerando e depois diminuindo o ritmo, como um pião a girar e a abrandar. É bastante distinto e um dos melhores meios de identificação.
Chamado
O chamamento mais comum é um 'chip' suave e seco ou um 'pjit' agudo e ligeiramente melancólico. Pode também emitir um 'tchip' ligeiramente mais forte quando alarmada.
Quando vocaliza
Canta predominantemente durante a época de reprodução (primavera e início do verão) para atrair parceiras e defender o território. Os chamamentos são usados durante todo o ano.

Reprodução

Estação reprodutiva
Maio a julho, com um pico em junho.
Hábitos de nidificação
O ninho é construído no solo, escondido sob a vegetação rasteira, um arbusto ou uma elevação do terreno. É uma estrutura esférica ou em forma de cúpula, construída de ervas, musgo e folhas, forrada com material mais fino, como pelos ou penas. A fêmea constrói o ninho.
Tamanho da ninhada
4-6 ovos (ocasionalmente 3-7).
Descrição do ovo
Geralmente 4-6 ovos brancos, com pequenas manchas e pintas avermelhadas ou acastanhadas, mais concentradas na extremidade mais larga.
Período de incubação
12-14 dias, realizada principalmente pela fêmea.
Período de emplumação
11-13 dias após a eclosão, período em que os jovens abandonam o ninho. Os juvenis são alimentados pelos pais por mais alguns dias após sair do ninho.
Cuidado parental
Ambos os pais alimentam os jovens, embora a fêmea incube e a contribuição do macho na alimentação possa variar.

Onde encontrar

Florestas e Matas

Procurar em florestas abertas de carvalho (quercus), faias ou pinhais, com pouco sub-bosque denso, especialmente em encostas ensolaradas.

Montanhas

Comum em zonas montanhosas com vegetação rala e espaçada.

Pomares e Olivais

Pode ser encontrada em pomares tradicionais e olivais antigos, onde as árvores não são excessivamente densas.

Dicas de campo

  1. Ouvir o Canto. A forma mais fácil de localizar esta espécie é pelo seu canto inconfundível. Uma vez aprendido, é difícil confundir.
  2. Observar o Comportamento. Observe o topo das árvores e arbustos para aves pequenas a forragear ativamente. A sua agilidade é notável.
  3. Estação. Procure durante a primavera e o início do verão nas áreas de reprodução na Europa. Na migração, pode ser observada em diversos habitats.
  4. Paciência. Pode ser discreta visualmente, movendo-se rapidamente entre a folhagem. A paciência é fundamental para uma boa observação.

Espécies semelhantes

Felosa-de-Bonelli-Oriental

Phylloscopus orientalis

Muito semelhante. A Felosa-de-Bonelli-oriental tem uma plumagem ligeiramente mais escura e menos esverdeada no dorso, uma barra alar menos distintiva e pernas geralmente mais escuras. O canto é a diferença mais clara: a oriental tem um canto mais variado e menos monótono, com notas mais rápidas e sem a aceleração e desaceleração do 'pião'. O chamamento é mais agudo e penetrante, um 'tsiit' mais metálico.

Felosa-musical

Phylloscopus trochilus

Apresenta supercílio pálido mais proeminente e contraste maior entre as partes superiores (mais esverdeadas) e inferiores (mais amareladas). As pernas são mais escuras (geralmente acinzentadas, não claras). Canto e chamamentos muito distintos.

Felosa-comum

Phylloscopus collybita

Apresenta supercílio mais distinto e plumagem geralmente mais acastanhada ou esverdeada, com contraste entre o dorso e o ventre. As pernas são mais escuras. O canto é um 'chip-chap-chip-chap' rítmico e os chamamentos são 'huit' ou 'tuit'.

Felosa-bilistada

Phylloscopus inornatus

Possui duas barras alares bem marcadas e um supercílio forte. É uma espécie mais pequena e compacta. Não há risco de confusão após observação cuidadosa.

Fatos rápidos

Nome Comum:
Felosa-de-Bonelli-Ocidental
Nome Científico:
Phylloscopus bonelli
Família:
Phylloscopidae
Ordem:
Passeriformes
Estado de Conservação:
Pouco Preocupante (Least Concern)
Habitat de Reprodução:
Florestas abertas e matagais secos em encostas, sul da Europa e Noroeste de África.
Habitat de Inverno:
Savanas e matas em África Subsariana.
Dieta Principal:
Insetos e aranhas
Período de Incubaçã:
12-14 dias
Número de Ovos:
4-6

Curiosidades

  • A Felosa-de-Bonelli-Ocidental e a Felosa-de-Bonelli-Oriental foram consideradas a mesma espécie até 2003, quando estudos genéticos e as claras diferenças nos seus cantos confirmaram que eram espécies distintas.
  • O nome 'Bonelli' homenageia Franco Andrea Bonelli, um ornitólogo italiano que foi o primeiro a descrever esta espécie.
  • A sua migração anual envolve milhares de quilómetros, voando do sul da Europa para a África Subsariana, demonstrando uma notável capacidade de resistência para uma ave tão pequena.
  • É uma das poucas felosas que constrói o seu ninho no chão, cuidadosamente escondido sob a vegetação.

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Phylloscopidae
Gênero
Phylloscopus
Espécie
Phylloscopus bonelli

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