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Ema

Quase Ameaçada (Near Threatened)

Rhea americana

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Sobre

A Ema (Rhea americana), também conhecida como Nandu, é a maior ave das Américas, um ratoide terrestre e não voador, nativo da América do Sul. É caracterizada por seu tamanho imponente, pernas longas e fortes, e um pescoço longo, coberto por penas. É uma ave social, geralmente encontrada em grupos, e desempenha um papel importante na dispersão de sementes em seu habitat.

Tamanho e longevidade

Comprimento
127 a 150 cm
Envergadura
250 a 300 cm (apenas para exibição, não voo)
Peso
20 a 27 kg, podendo chegar a 40 kg
Longevidade
10 a 15 anos na natureza, até 20 anos em cativeiro
Dieta
Onívora, predominantemente herbívora. Consome uma variedade de folhas, sementes, frutos, raízes, insetos (gafanhotos, besouros), pequenos vertebrados (lagartos, roedores, aves pequenas, cobras) e até carniça ocasional.

Características físicas

Plumagem
A plumagem geral é predominantemente cinza-acastanhada a marrom-acinzentada, com uma mancha preta distinta no peito e na base do pescoço em indivíduos adultos. As penas são macias e soltas, lembrando pelos. As asas são longas para um ratoide, mas são usadas principalmente para equilíbrio durante a corrida e exibições, não para voo. A plumagem dos juvenis é mais clara e com estrias longitudinais escuras.
Formato do bico
Bico relativamente curto, largo e achatado, de cor acinzentada, adaptado para pastoreio e coleta de uma variedade de alimentos.
Cor dos olhos
Olhos grandes e redondos, com íris marrom-escura.
Cor das pernas
Pernas longas e fortes, de coloração cinza-escura a preta, com três dedos voltados para a frente em cada pé, adaptadas para a corrida.
Características distintivas
Tamanho grande, pescoço longo, plumagem solta, mancha preta no peito (em adultos), pernas poderosas. A ausência de cauda e a forma geral do corpo são distintivas. Presença de garras nos "dedos" das asas, que são usadas em combates.
Aparência juvenil
Os juvenis são menores, com plumagem mais clara e padronizada com estrias longitudinais escuras ao longo do corpo. Essa padronagem serve como camuflagem. A mancha preta no peito só se desenvolve em adultos.
Mudanças sazonais
Não há mudanças sazonais significativas na plumagem. A intensidade da mancha preta no peito do macho pode variar ligeiramente com a época de reprodução, tornando-se mais proeminente.
Dimorfismo sexual
O dimorfismo sexual é sutil. Os machos são geralmente maiores que as fêmeas e possuem a mancha preta no peito e pescoço mais proeminente e escura. Durante a época de reprodução, o macho exibe um comportamento mais territorial e a coloração pode parecer ligeiramente mais intensa.

Como identificar

  1. 1

    Tamanho e Forma

    É a maior ave da América do Sul. Sua silhueta inconfundível de pescoço longo, corpo volumoso e pernas fortes distingue-a de qualquer outra ave na maior parte de sua distribuição.

  2. 2

    Coloração

    Plumagem cinza-acastanhada com a mancha preta característica no peito e pescoço de adultos.

  3. 3

    Comportamento

    Observar grupos de aves não voadoras pastando em campos abertos ou correndo com as asas erguidas para equilíbrio.

  4. 4

    Vocalização

    O chamado profundo de 'nan-du' do macho durante a época de acasalamento é um marcador auditivo distintivo.

  5. 5

    Habitat

    Encontrada em campos abertos, cerrados e pampas, raramente em florestas densas.

Habitat e distribuição

Biomas
Campos abertos, savanas, pampas, caatinga, cerrados e áreas agrícolas. Prefere habitats com vegetação rasteira e arbustos dispersos, que fornecem tanto alimento quanto cobertura.
Distribuição geográfica
Ocorre na América do Sul, desde o nordeste do Brasil, passando por partes do Centro-Oeste e Sudeste, até a Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina. A maior parte de sua distribuição está nas regiões de campo aberto do Brasil, Argentina e Paraguai.
Faixa altitudinal
Geralmente abaixo de 1.200 metros de altitude, embora possa ser encontrada em altitudes um pouco maiores em algumas partes de sua distribuição.
Ambientes preferidos
Pastagens, estepes, campos abertos, áreas de cerrado e caatinga, frequentemente em proximidade a corpos d'água. Evita florestas densas e regiões montanhosas.

Comportamento

Horário de atividade
Diurna. Passa a maior parte do dia forrageando e descansando. Ao entardecer, os grupos se reúnem para dormir em áreas abrigadas.
Hábitos alimentares
Forrageia durante o dia, caminhando lentamente e arrancando folhas, brotos e sementes. Usa o bico para coletar insetos e pequenos animais. Pode formar grupos maiores para forragear em áreas abundantes em alimentos.
Comportamento social
Altamente social. Vive em grupos que podem variar de 5 a 30 indivíduos, embora grupos maiores sejam observados fora da época de reprodução. Os grupos são geralmente liderados por um macho dominante. Na época de reprodução, os machos se tornam territoriais e defendem ninhos coletivos.
Padrão de voo
Não voa. Suas asas são usadas para equilíbrio durante a corrida, para exibição de cortejo e para proteger os filhotes.
Padrão migratório
Não migratória. Realiza movimentos locais em busca de alimento e água, especialmente durante períodos de seca.
Territorialidade
Machos adultos são territoriais durante a época de reprodução, defendendo a área do ninho coletivo contra outros machos e predadores. Fora da época de reprodução, a territorialidade é menos pronunciada.

Canto e chamados

Canto
Não possui um 'canto' no sentido tradicional das aves. Emite vocalizações que lembram um 'rufar' ou 'rugido' baixo e gutural.
Chamado
O chamado mais característico é um som grave e ressonante, semelhante a um 'boo-boo-boo' ou 'nan-du' (de onde deriva o nome Nandu), produzido pelo macho para atrair fêmeas e estabelecer território. Também podem emitir assobios e chiados quando ameaçados.
Quando vocaliza
Os chamados de acasalamento são mais frequentes durante a época reprodutiva (primavera e verão). Outras vocalizações podem ser ouvidas durante o dia em resposta a ameaças ou na comunicação dentro do grupo.

Reprodução

Estação reprodutiva
Primavera e verão, variando ligeiramente com a localização geográfica. Geralmente de agosto a janeiro no sul do Brasil e Argentina.
Hábitos de nidificação
O macho constrói um ninho raso no chão, arranhando a terra e forrando-o com grama e folhas. É um sistema de reprodução poliândrico ou poligínico-poliândrico, onde um macho acasala com várias fêmeas, e cada uma delas deposita seus ovos no ninho do macho. O macho é o único responsável pela incubação e cuidado dos filhotes.
Tamanho da ninhada
Um único ninho pode conter de 10 a 60 ovos, depositados por várias fêmeas (geralmente de 2 a 12 fêmeas).
Descrição do ovo
Ovos grandes, de casca espessa e cor amarelada-esbranquiçada a verde-pálida, que escurecem com o tempo devido à absorção de pigmentos do ninho e ao manuseio pelo macho.
Período de incubação
Cerca de 35 a 40 dias, realizada exclusivamente pelo macho.
Período de emplumação
Os filhotes são precoces, nascem com plumagem e são capazes de seguir o pai logo após a eclosão. O cuidado parental do macho dura por vários meses, até os filhotes estarem mais independentes, por volta dos 5-6 meses.
Cuidado parental
O macho é o único responsável por incubar os ovos e cuidar dos filhotes. Ele os defende ferozmente contra predadores, guiando-os e protegendo-os até que se tornem independentes.

Onde encontrar

Parques Nacionais e Reservas

Parque Nacional das Emas (Goiás, Brasil), Pantanal (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Brasil), Parque Nacional de Serra da Canastra (Minas Gerais, Brasil), áreas protegidas na Argentina e Uruguai.

Campos Abertos e Áreas Agrícolas

Comumente avistada em pastagens e lavouras em toda a sua área de ocorrência.

Dicas de campo

  1. Período da Observação. As emas são diurnas, sendo mais ativas no início da manhã e no final da tarde, quando as temperaturas são mais amenas.
  2. Técnica de Observação. Procure em áreas abertas com vegetação rasteira. Elas são relativamente fáceis de serem avistadas devido ao seu tamanho. Use binóculos para detalhes e evite movimentos bruscos.
  3. Identificação de Filhotes. Se avistar um macho adulto, procure por filhotes pequenos e listrados seguindo-o de perto. O macho é muito protetor.
  4. Sinalização. Preste atenção aos sons característicos, especialmente o 'nan-du' do macho durante a época reprodutiva.

Espécies semelhantes

Ema-de-Darwin (Pequena Ema)

Rhea pennata

A Ema-de-Darwin é significativamente menor, com cerca de 90-100 cm de altura e 15-25 kg de peso. Sua plumagem é mais malhada, com manchas brancas nas costas. A distribuição geográfica também é diferente, ocorrendo em altitudes mais elevadas e em regiões mais ao sul dos Andes e Patagônia.

Fatos rápidos

Estado de Voo:
Não Voadora
Tipo de Dieta:
Onívora
Tipo de Ninho:
No chão (ninho coletivo, incubado pelo macho)
Cuidado Parental:
Exclusivamente pelo macho
Distribuição Principal:
América do Sul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia)

Curiosidades

  • A ema é a maior ave do continente americano.
  • É um animal poligínico, onde um único macho acasala com várias fêmeas, que depositam seus ovos no mesmo ninho. Ele incuba e cuida de todos os filhotes.
  • As emas usam suas longas pernas para correr em alta velocidade, atingindo até 60 km/h, e suas asas para se equilibrar enquanto correm.
  • São importantes dispersoras de sementes, contribuindo para a ecologia dos ecossistemas de campo onde habitam.
  • Possuem uma garra afiada em cada um dos seus três dedos, que pode ser usada para defesa.
  • Em algumas culturas indígenas, a ema é um símbolo de força e velocidade.

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Rheiformes
Família
Rheidae
Gênero
Rhea
Espécie
Rhea americana

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