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O Coleiro, também conhecido como Coleirinho ou Coleiro-do-brejo, é um pequeno pássaro passeriforme da família Thraupidae. É amplamente apreciado por seu canto melodioso e sua beleza, sendo uma das espécies de Sporophila mais conhecidas e distribuídas na América do Sul. Caracteriza-se pelo dimorfismo sexual acentuado, com o macho exibindo plumagem contrastante e a fêmea sendo mais discreta.
Tamanho e longevidade
- Comprimento
- 10-11 cm
- Envergadura
- 15-17 cm
- Peso
- 7-10 g
- Longevidade
- 3-5 anos (em ambiente natural), até 10 anos (em cativeiro)
- Dieta
- Granívoro (principalmente sementes de gramíneas), complementado por pequenos insetos e brotos.
Características físicas
- Plumagem
- Macho adulto: Dorso cinza-azulado, cabeça e nuca cinza-azuladas, com um colar preto distintivo na garganta e peito. O ventre é branco-acinzentado. As asas são escuras com uma pequena mancha branca na base das primárias (espéculo). Fêmea e juvenis: Plumagem parda-olivácea uniforme no dorso e partes inferiores mais claras, sem o colar preto ou as cores vibrantes do macho. A mancha branca nas asas é menos evidente ou ausente.
- Formato do bico
- Cônico e robusto, adaptado para quebrar sementes. Cor preta no macho adulto, e mais clara (chumbo ou acinzentada) na fêmea e juvenis.
- Cor dos olhos
- Preto.
- Cor das pernas
- Cinza-escuro a preto.
- Características distintivas
- O colar preto no macho adulto é a característica mais distintiva. A mancha branca na asa, visível em voo ou quando a asa está semiaberta, também é um bom campo de identificação para ambos os sexos, embora mais proeminente no macho.
- Aparência juvenil
- Os juvenis são semelhantes às fêmeas, com plumagem parda-olivácea. Os machos jovens começam a adquirir a plumagem adulta (colar preto e coloração cinza-azulada) a partir do primeiro ano de vida, em um processo gradual que pode levar até dois anos para ser completo.
- Mudanças sazonais
- Não há mudanças sazonais significativas na plumagem dos adultos, além da muda anual. A coloração do macho é constante ao longo do ano, embora possa parecer mais vibrante durante a estação reprodutiva devido à intensidade da luz e ao comportamento.
- Dimorfismo sexual
- Muito acentuado. Machos adultos são cinza-azulados com um colar preto e ventre claro. Fêmeas e juvenis são pardos-oliváceos, sem o colar preto e com coloração geral mais discreta.
Como identificar
- 1
Colar preto (macho adulto)
Procure pelo anel preto bem definido que circunda a garganta e o peito do macho. Esta é a característica mais marcante e inconfundível.
- 2
Coloração geral (macho adulto)
Observe o dorso cinza-azulado e o ventre branco-acinzentado. A combinação dessas cores com o colar preto é exclusiva do Coleiro macho.
- 3
Mancha branca na asa
Tanto machos quanto fêmeas possuem uma pequena mancha branca na base das primárias, visível quando a asa está aberta ou em voo. É mais proeminente no macho.
- 4
Plumagem parda (fêmea e juvenil)
Fêmeas e juvenis são pardos-oliváceos. A identificação pode ser mais desafiadora, mas a mancha branca na asa e o bico cônico podem ajudar. Muitas vezes, a associação com um macho cantando nas proximidades é a melhor pista.
- 5
Canto
O canto melodioso e variado é um excelente indicador da presença do Coleiro, especialmente do macho. Aprender a reconhecer seu canto é fundamental para a identificação auditiva.
Habitat e distribuição
- Biomas
- Campos, cerrados, bordas de florestas, áreas de vegetação secundária, pastagens, jardins e parques urbanos, especialmente em áreas com gramíneas altas e arbustos.
- Distribuição geográfica
- Ampla distribuição na América do Sul, ocorrendo no Brasil (praticamente todo o território), Paraguai, Uruguai, Bolívia, Argentina e, ocasionalmente, no Peru e Equador.
- Faixa altitudinal
- Principalmente em baixas altitudes, do nível do mar até cerca de 1.500 metros.
- Ambientes preferidos
- Áreas abertas ou semiabertas com abundância de gramíneas, especialmente aquelas que produzem sementes. Brejos, capinzais, beiras de rios e lagos, e áreas agrícolas são frequentemente utilizados.
Comportamento
- Horário de atividade
- Diurno. Mais ativo nas primeiras horas da manhã e no final da tarde.
- Hábitos alimentares
- Alimenta-se principalmente de sementes de gramíneas, que coleta diretamente das inflorescências ou do chão. Também pode consumir pequenos insetos, como gafanhotos e larvas, especialmente durante a época de reprodução para complementar a dieta dos filhotes. Forrageia em grupos ou pares, geralmente no solo ou em vegetação baixa.
- Comportamento social
- Durante a época de reprodução, os casais são territoriais. Fora da época reprodutiva, podem formar pequenos bandos mistos com outras espécies de Sporophila ou outros pequenos granívoros.
- Padrão de voo
- Voo rápido e ondulante, com batidas de asas curtas e rápidas, alternadas com planadas curtas. Geralmente voa baixo entre a vegetação.
- Padrão migratório
- Em grande parte da sua distribuição, é considerado residente. No entanto, populações do sul do Brasil, Argentina e Uruguai podem realizar migrações sazonais para o norte durante o inverno austral, buscando áreas mais quentes e com maior disponibilidade de alimento.
- Territorialidade
- Os machos são territorialistas durante a época de reprodução, defendendo seu território de canto e nidificação contra outros machos da mesma espécie. O canto serve para atrair fêmeas e demarcar o território.
Canto e chamados
- Canto
- O canto do Coleiro é melodioso, variado e agradável, composto por frases curtas e repetitivas, com assobios e trinados. Cada indivíduo pode ter variações em seu repertório. É um dos cantos mais apreciados entre os pássaros brasileiros.
- Chamado
- Os chamados incluem um 'tchip' ou 'tsit' agudo e um 'chi-chi-chi' de alarme quando perturbado.
- Quando vocaliza
- Os machos cantam intensamente durante a época de reprodução (primavera e verão), principalmente nas primeiras horas da manhã e no final da tarde, para atrair fêmeas e demarcar território. Podem vocalizar esporadicamente fora deste período.
Reprodução
- Estação reprodutiva
- Principalmente de setembro a março no Brasil, coincidindo com a estação chuvosa e a maior disponibilidade de sementes e insetos.
- Hábitos de nidificação
- O ninho é uma pequena taça bem construída, geralmente em forma de cesto, feito de fibras vegetais finas, raízes e teias de aranha, forrado com material mais macio. É construído pela fêmea, geralmente em arbustos baixos ou gramíneas altas, a poucos metros do solo, bem camuflado.
- Tamanho da ninhada
- 2-3 ovos.
- Descrição do ovo
- 2 a 3 ovos por postura, de coloração branca a creme, com manchas e pintas marrons ou avermelhadas, mais concentradas na extremidade maior.
- Período de incubação
- 11-13 dias, realizada principalmente pela fêmea.
- Período de emplumação
- 10-13 dias após a eclosão, os filhotes deixam o ninho, mas ainda são alimentados pelos pais por um período.
- Cuidado parental
- Ambos os pais participam da alimentação dos filhotes, embora a fêmea seja a principal incubadora e a que mais alimenta nos primeiros dias. O macho defende o território e auxilia na alimentação.
Onde encontrar
Campos e Pastagens
Áreas abertas com gramíneas altas são os locais preferidos para forrageamento e nidificação.
Bordas de Matas e Capoeiras
Podem ser encontrados nas transições entre áreas abertas e florestadas, onde há arbustos e vegetação mais densa para abrigo.
Brejos e Áreas Úmidas
A presença de gramíneas e vegetação aquática torna esses locais atrativos para o Coleiro.
Jardins e Parques Urbanos
Em cidades, podem frequentar áreas verdes com gramados e arbustos, especialmente se houver sementes disponíveis.
Dicas de campo
- Ouça o canto. O canto do Coleiro é distintivo e muitas vezes a primeira indicação de sua presença. Aprenda a reconhecê-lo para localizá-los.
- Procure em gramíneas altas. Eles costumam forragear e se esconder entre as gramíneas. Observe atentamente as inflorescências em busca de aves se alimentando.
- Use binóculos. Devido ao seu pequeno tamanho e à tendência de se esconder na vegetação, binóculos são essenciais para uma boa observação e identificação dos detalhes da plumagem.
- Observe ao amanhecer e entardecer. São mais ativos e vocalizam mais intensamente nesses períodos, aumentando as chances de avistamento.
- Paciência e discrição. Aproxime-se lentamente e evite movimentos bruscos para não espantar a ave. Fique parado e observe por um tempo.
Espécies semelhantes
Caboclinho-de-barriga-verde
Sporophila hypoxantha
O macho do Caboclinho-de-barriga-verde tem o dorso pardo-oliváceo e o ventre amarelado-esverdeado, sem o colar preto e o dorso cinza-azulado do Coleiro. As fêmeas são muito semelhantes e difíceis de distinguir em campo, exigindo observação de detalhes sutis ou associação com o macho.
Caboclinho-de-chapéu-cinzento
Sporophila cinereola
O macho do Caboclinho-de-chapéu-cinzento possui o dorso pardo e a cabeça cinza, mas não apresenta o colar preto distintivo do Coleiro. O ventre é esbranquiçado. As fêmeas são praticamente indistinguíveis das fêmeas de Coleiro.
Patativa
Sporophila plumbea
O macho da Patativa é cinza-azulado uniforme, sem o colar preto na garganta e peito. É ligeiramente maior que o Coleiro. As fêmeas são também pardas, mas geralmente um pouco mais acinzentadas que as fêmeas de Coleiro.
Fatos rápidos
- Nome Comum:
- Coleiro, Coleirinho, Coleiro-do-brejo
- Nome Científico:
- Sporophila caerulescens
- Família:
- Thraupidae
- Dieta Principal:
- Sementes de gramíneas
- Habitat:
- Campos, pastagens, bordas de matas
- Status de Conservação:
- Pouco Preocupante
- Canto:
- Melodioso e variado
- Dimorfismo Sexual:
- Acentuado (macho colorido, fêmea parda)
Curiosidades
- O Coleiro é uma das espécies de pássaros mais populares no Brasil, tanto para observação quanto, infelizmente, para o cativeiro ilegal devido ao seu canto.
- Seu nome 'caerulescens' vem do latim e significa 'azul-acinzentado', referindo-se à coloração do macho.
- Apesar de ser um pássaro pequeno, seu canto pode ser surpreendentemente alto e complexo.
- É um importante dispersor de sementes de gramíneas, contribuindo para a regeneração de ecossistemas de campo.
Classificação científica
- Reino
- Animalia
- Filo
- Chordata
- Classe
- Aves
- Ordem
- Passeriformes
- Família
- Thraupidae
- Gênero
- Sporophila
- Espécie
- Sporophila caerulescens
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